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A gente aprendeu a se olhar de fora
Talvez uma das coisas mais estranhas de crescer agora seja que já não basta viver uma vida. Existe também a tarefa paralela de observá-la. Fotografar, organizar, comparar, apagar, melhorar. Escolher o que merece aparecer e, pouco a pouco, aprender a imaginar como aquilo que fazemos parece para alguém que está olhando. Isso não começou com o Instagram. O sociólogo Erving Goffman já escrevia, nos anos 1950, sobre a vida social como uma espécie de apresentação: dependendo de ond
alice mirapalhete
22 de ago.4 min de leitura


A moda não tem só um problema de material. Tem um problema de quantidade.
Existe uma imagem que deveria aparecer sempre que alguém fala em sustentabilidade na moda: uma praia coberta de roupas. Não é uma campanha. Acontece em Accra, capital de Gana. A cidade abriga Kantamanto, um dos maiores mercados de roupas de segunda mão do mundo. Cerca de 15 milhões de peças usadas chegam ao mercado todas as semanas, principalmente de países do Norte Global. É muita roupa, inclusive para uma estrutura criada justamente para recuperar, consertar e revender roup
alice mirapalhete
22 de ago.3 min de leitura


O que uma roupa guarda?
Tem roupa que perde a função e continua ocupando espaço. Já não serve direito, está gasta, poderia ser substituída sem dificuldade. Mesmo assim, fica. No fundo da gaveta, numa caixa, no armário de outra pessoa. Às vezes atravessa uma mudança de casa. Às vezes atravessa uma geração. Isso parece menos estranho quando a roupa deixa de ser pensada só como aquilo que vestimos. A antropóloga Clara Calazans Espindola entrevistou 46 jovens sobre suas relações com o vestuário e encont
alice mirapalhete
22 de ago.2 min de leitura
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